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domingo, 11 de março de 2012

Um relato da infância

Um relato.

Hoje, retornei a minha casa... Ao lugar onde nasci, e fui criado até os 15 anos de idade.
Após 7 anos que me mudei, retornei hoje de uma maneira que até então, não tinha feito em todo esse tempo.
Deixo um relato, de uma expedição que me levou a flash e momentos do meu crescimento:

Hoje é incrível notar, anotar, embasbacar...
Perceber tudo em seu devido lugar, sem crescer, sem mudar...
Houveram mudanças no meio, nas estruturas,
mas as fissuras eternas, e o tempo que passou,
nada pode mudar.

Foi de se espantar... Andar, vagar...
Olhando os detalhes, as texturas,
os textos e escrituras...
O quarto antigo em que um dia fiz meu mundo...
Hoje fechado, as escuras.

Andando no quintal, dentro dos antigos compartimentos secretos,
o chão de cimento, a altura do teto,
as casa dos vizinhos,
um bairro ainda repleto de paz, calma,
luz do dia, aquele ventinho da tarde...

Entrando e redescobrindo,
percebo que tudo parece menor.
A casa do cachorro não era tão pequena,
o muro parecia uma fortaleza imensa,
a grama queimada, pela iluminação intensa...
E vi que realmente de altura estou maior.

Entrando nos cômodos...
Me lembro que antigamente entrar em lugares escuros me remetia ao medo,
a insegurança,
imaginava passos, pessoas que poderiam estar alí,
andava preocupado dentro da minha própria casa,
e hoje finalmente percebi...

To o medo infantil, era na verdade o medo de mim mesmo,
percebo que hoje, andando adulto, caminhando nas salas no escuro,
que quando criança, eu aumentava o mundo.

Se por bem ou se por mal tanto faz...
Sempre fui imaginativo, sempre fui incisivo, sempre fui evasivo,
e sempre muito inseguro.

A insegurança na casa, e na imaginação destemido...
Agora vejo que sempre precisei ser lunático,
pois hoje fiquei estático,
de perceber que meu medo se realizou,
e era o medo de ter crescido.

O medo de encarar o mundo com outros olhos,
com maior autonomia,
os cheiros dos ambientes,
da lavanderia, da cozinha,
dos quartos, do quintal...
Sempre fora muito degustados,
pois pequeno assustado,
nunca quis pensar no fato,
de um dia ter que viver fora do meu quintal.

Esta experiência foi mágica...
Uma comoção repentina, inesperada... Trágica...
Lágrimas desceram sem a menor expectativa.
O medo era tamanho que a imaginação passou a ser cumulativa.

Hoje olhando de outra altitude,
percebo que a verdade em plenitude
era que sempre fiz um grude, com o mundo de imaginação na infância,
com medo de sair de baixo das asas do mundo que era meu,
do tamanho de uma bola de gude.

Essa experiência me fascinou. Foi fúnebre, foi vazia, e foi emocionante...
Andei pensando no agora, lembrando do de antes,
e sentido que cada vez fica mais distante...
Fui conversando pela casa com cada foto de cada estante...

Hoje percebo que sempre tive medo de ser ''gente grande''.
Agora crescido,
mais vivido,
posso perceber que sempre tive medo deste fato,
mas o medo é o mais bobo boato...
E o amor que senti hoje,
Me deixa eternamente feliz,
de sempre ter sido, e feito o que quis,
e assim quero ter outros retornos,
e amar enquanto estiver vivo.

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