Ele sempre foi tudo, porque ele nunca foi nada. E em tudo que ele ia sendo, ele não queria ser nada. Ele queria ser ele. Ele queria ser nada.Em tudo que ele pode ser, seja a ou b, ele não será, pois ele não é nada, logo não será nem a nem b. Ele é nada.Eu posso ser o que eu quiser, justamente por não poder ser o que eu quero. Creio que nem nada eu posso ser.O não poder, me da um poder fabuloso, e cada vez mais me remete ao não poder imensurável, que é até então, pra mim, a única verdade perfeita.Eu posso ser o que eu quiser. Fazer o que o meu ser sendo me permite fazer sendo. Mas eu não posso ser culpado de nada. Pois o que eu quero é ser nada. Nada mais do que o que estou sendo. Não posso ser culpado, pois posso não estar sendo nada agora. E não estou, pois não posso ser nada, logo, não posso ser eu.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
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