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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Poetas são como dentistas.
Eles fazem o canal, eles moldam e purificam a palavra como uma broca que precisa fazer aquele barulho insuportável, para conseguir lapidar o dente.
A leveza que você sente em 

relação as palavras do Poeta é incompatível com o que de fato o Poeta sente.

Escrever é um parto. Escrever é um transe. Escrever é existir em um breve momento, em que a criatividade de forma aleatória e improvisada enxerga um ponto indeterminado, e inicia-se assim uma corrida contra o tempo para que esse ponto não fuja da imaginação do Poeta. Este ponto é como uma cárie dentária. E lá vai o dentista com suas anestesias, sua broca, quebrar, esmiuçar, bater, e brigar com aquele feixe de Idéia, com aquela cárie; para que com isso, possa lapidar e polir da melhor maneira que puder, aquele Dente.

A mesma Idéia que trouxe este texto. Com a mesma corrida, e mesmo processo de esmiuçar, quebrar, romper, despir...
Escrever é algo surreal. É incomodo. Palavras são leves por mero amor a Arte. O que está por trás é profundo, é denso, é escuro, as vezes doloroso.
Escrever é uma dor de Dente.


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